Todos os anos, em setembro, diversas comunidades no Brasil se reúnem para celebrar o Dia de Cosme e Damião.
Embora a data seja marcada no dia 26 de setembro no calendário católico, é no dia 27 que a tradição popular se manifesta mais fortemente.
Essa celebração, além da tradicional distribuição de doces, traz um rico simbolismo que une diferentes tradições religiosas.
Quem foram Cosme e Damião?
Cosme e Damião foram irmãos gêmeos conhecidos por suas habilidades como médicos que não cobravam por seus serviços.
No século 4, durante as perseguições aos cristãos, foram presos e acusados de feitiçaria, sendo executados em 303 d.C. Hoje, são considerados padroeiros dos médicos e farmacêuticos, e suas histórias são celebradas em várias culturas.
Cosme e Damião são venerados tanto no catolicismo quanto nas religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda.
Para os adeptos dessas religiões, os santos são sincretizados com os Orixás Ibejis, que representam a dualidade e a pureza das crianças.
Como o sincretismo religioso influenciou a celebração?
O sincretismo religioso no Brasil foi uma estratégia de sobrevivência para os escravizados, que disfarçavam suas divindades sob a imagem dos santos católicos.
Cosme e Damião foram associados aos Ibejis, permitindo que as tradições africanas sobrevivessem à repressão.
Rituais e oferendas comuns à Cosme e Damião
Durante as celebrações, é comum a realização de rituais com cânticos, danças e oferendas. Doces como maria mole, pé de moleque e guaraná são oferecidos.
O Caruru, prato tradicional da culinária afro-brasileira, também desempenha um papel central nas festividades, sendo reconhecido como patrimônio imaterial na Bahia.
Em suma, o Dia de Cosme e Damião é uma celebração religiosa que transcende a distribuição de doces, trazendo um profundo simbolismo de proteção, cuidado e resistência cultural aos seus adeptos e fiéis.